Bem que podia ser de açúcar mascavo


Nada passa por ela desapercebido. Em tudo que toca deixa uma coisa boa. Não aquilo de mimar, mais aquilo de cuidar. As pessoas te preenchem. Enchem o seu copo de uma água que transborda. Mais a água chega cair de tanto ao sobrar coisa boa. Mas as vezes acontece de transbordar e o resultado disso não é bom. Porque tudo demais machuca, agride, exagera. As pessoas te confundem quando estão naquela fase de graça, mas logo te entristecem com o olhar, porque quando há nelas aquele olhar de desprezo ou indiferença, isso te assusta. Amarga o gosto. Porque a vida tem gosto doce de açúcar mascavo não meu amor, tem gosto daquele açúcar branco que é branquinho por fora e negro por dentro, que escurece todo o seu sangue. E te intoxica. Não que a vida seja sua vilã, pelo contrário. A vida é surpresa. A vida é poesia. Assim como ela é. Por onde passa deixa sua poesia, um auto-retrato misterioso, e logo se preenche de verdade. Ela saboreia a verdade da própria vida. Qualquer situação impertinente ela descarta. Sempre liberal com os outros e radical consigo mesma, hoje acha isso pura insensatez. Porque agora ela vive a poesia que jamais nunca viveu. Vive pela própria felicidade. Ela espera um encontro. Não um encontro como nos filmes de romance ou de histórias de conto de fadas, um encontro comum, mas o encontro com alguém muito especial. Que já se tornou especial demais. Que passou a viver na intenção, no coração e na saudade. Acho que todos deviam esperar um grande encontro. Pra ter na vida aquele sabor docinho da espera. Não é tão bom assim, essa espera também machuca e machuca muito. Qualquer forma de arte a transforma. Encanta. Faz admirar o coração. Inspira. E uma coisa fica certa. É vã a certeza de uma própria análise. Experimente se olhar de longe, pelo olhar de outros é tudo tão mais amplo... Você passa a admirar-se, a olhar-se com outros olhos, olhos ternos, você passa a ter compaixão de si mesmo. Mas sem se fazer de vítima , isso não! Um dia ela avista uma garota sentada numa praça rodeada de um arco de flores e perguntas encima da sua cabeça. E ficou se perguntando, ''_o que tanto aquela garota se pergunta  e não vai olhar o jardim tão bonito que está a sua frente?'' Alguém a disse que aquela menina era ela mesma, cheia de si, pouca dos outros, cheia do seu próprio Mundo. Era pura insensatez. Porque a vida não é de açúcar mascavo ne?     

       



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