Seus olhos negros




Seus olhos negros
Uma áurea azul
De vivo luzir
Estrelas incertas, que as águas
dormentes,
Do mar vão ferir;

Seus olhos negros
De noite cantando,
Mais doces que a flauta
Homem valente de olhos doces
Que quebram a minha solidão.

Áurea azul
Vivo luzir,
Meigos infantis, gentis, engraçados
Seus negros olhos.

Num jogo infantil,
Inquietos, travessos- causam tormento.
Um beijo desses olhos seus
Deve apagar a dor de um momento,
De modo gentil 

Seus olhos negros
Ás vezes luzindo, serenos, tranquilos,
Ás vezes vulcão!

Com a sua música
Seus olhos negros,
Ás vezes derramam solidão
Tão frouxo, tão fraco...

Por vezes mudo e sisudo,
Cismando mil coisas.
Não pensa - a pensar.

Nas almas virgens
Cai doce harmonia,
Samba que embala.
E de um vago desejo minha alma se veste.

Que sejam desejos
Que seja invasão.
Eu amo seus olhos negros.

Vivo fulgor
Sem pudor
Que falam de amores com tanta poesia
Que embalam a noite com tanta paixão.










 Uma adaptação da obra Seus olhos de Gonçalves Dias.

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