A coisa do nosso sagrado
O sentir não deveria exigir segredo. Deveria exigir reverência, respeito. Tudo de nós é sacralidade. O corpo é o que a alma faz de templo. O corpo fala do que a alma reza. Reverência ou descaso, falta de cuidado. Na vida o que sentimos e o que fazemos deveria ser um duo entre o corpo e o sentimento. Numa dança de passos sincronizados pudêssemos dançar pelas ruas, praças, pontos de ônibus, pelos consultórios, pelo trânsito, pelos carros, pelas camas, quartos, pelas bancas de revista, pelos teatros...pelos lugares que andam os nossos corpos catarseados de seus sentimentos.
A juventude é uma criança que cresceu. Crianças que acordam, escovam os dentes, trabalham, cumprem horários, choram, agridem, guardam, não deixam pra lá. Deixando pra dentro. Criança mesmo deixa pra lá, esquece. Mas o adulto é uma bolha, bola de neve de mágoas na vastidão do inverno emocional. A criança cresceu e perdeu o brilho da criança que cresce. Somos papéis. Somos quadros. Somos espelhos. Somos objetos que tocamos, que passam pelo nosso toque. Todavia as coisas refletiram o mais puro e sagrado que somos, o que restou de nós. As coisas têm brilho.
-Qual é a coisa que ficou o teu brilho?

Comentários