Arquitetura da vida
Eu quero portas abertas e coretos eternos. Arquitetura doce que me faz voltar a cidadezinha de onde o meu avô Francisco nasceu. Quermesses contagiantes de amores doces e
olhares faceiros. Igrejas que por detrás dê pra contemplar o pôr-do-sol. Eu quero andar por trilhas sertanejas, contemplar a beleza do sertão adentro. O sertão que se supre por inteiro, que se cuida por si só. Se recupera e se ergue. Sertão que guarda a sua água e quando mais precisa, mata a sua sede. Pele grossa, sem delicadeza, olhares distantes, sorrisos eternos. Coração de Mandacaru. Se engana quem pensa que o sertão não tem água. Nas nascentes dos ribeirinhos é aonde o sol nasce, e no seu poente nasce uma esperança: que a chuva venha regar as plantações. O sertão com chuva é prece atendida, é força de vida severina, é suportar a seca, florescer as certezas. É pintar o céu de verde pelo reflexo do pomar verdinho, é saborear esperança e alegria com os próprios olhos.
Eu quero caminhar pelas praias desertas e deixar a areia cobrir todo o meu pé. Esperar o sol descer até a última pontinha desaparecer. Deixar o sol pintar o céu de incertezas
alaranjadas. Também é bonito não ter certezas e deixar as belezas da vida guiar. Eu quero entrar em casas de pau -a -pique e conhecer as famílias que moram na Costa. Conhecer as histórias dos pescadores, toda aquela luta diária, a alegria que mora dentro. Construção da vida, arquitetura doce. Eu quero acordar com a dúvida da ida e a certeza da chegada.


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