Minha velhice pela janela
Tá olhando o quê?
Desse susto
Eu já tive o sopro
Morte lenta que te assusta
Não quero que me aguardem
Porque as contas, contas,
Na minha mesa,
Já não preciso mais pagar
As chaves da minha velhice eu já comprei
Pintei, bordei, assinei
Já não quero mais assinar
O futuro não aguardo mais
Só ficar pelos cantos
Não quero que me olhem
O que me resta é morrer
As minhas netas eu não vejo mais
Elas apertavam o meu nariz
E acariciavam o meu cabelo
Seus pais me trancaram numa casa de desejos interrompidos
Onde ninguém se olha
Preciso voltar
Já é minha hora
Tá olhando o quê? (Meu primeiro poema para o Projeto Meus Velhos - A foto original é de um senhor olhando através da janela de ônibus).

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