era só porque a gente tava se entregando- "Amar e mudar as coisas me interessa mais".
esses dias estava me lembrando daqueles últimos dias de dezembro que eu te encontrei, havíamos nos encontrado mais ou menos por acaso no sábado anterior, algumas coisas tinham dado meio errado pra mim, então resolvi sair com alguns amigos das antigas, aí inesperadamente você apareceu lá, fechamos o beer after ride, ignoramos pedir um uber e caminhamos todos pra deixar uma amiga em casa enquanto você comentava sobre o novo filme do homem -aranha com meus amigos, ( mas falar sobre esse dia é outro texto).
alguns dias depois você veio me buscar e fomos pra um bar pertinho de casa, que era do lado de outro bar que parecia um bistrô francês, falamos sobre algumas coisas pra gente tão insignificantes, mas aos olhos dos outros é uma sentença. e a gente expressava um pensamento comum : é aquela história de manter o nosso coração livre porque essas prisões aí sempre vão existir mesmo. a prisão de estar sempre sob o olhar dos outros. a gente também falou sobre uma galera que prega a paz nas redes sociais e na vida real é um(a) covarde e vive fazendo guerra com todo mundo , sobre a vida nos dar peças quase sempre impossíveis de montar, e sem querer botar romantismo nenhum de “otimismo “ nisso. eu ouvindo você dizer que saiu daquela ou outra questão com as coisas resolvidas mas completamente indignado. seu olhar nos meus olhos e eu sentindo o calor da nossa conversa e pele, e era uma sintonia medonha que envolvia a gente. eu sentia o calor do nosso corpo perto do outro respeitando o toque e as vezes a gente ignorava isso e se tocava. eu sentia o gosto de tabaco artesanal no nosso beijo. era bom. eu não estava nem aí pra roupa que eu estava, eu sorria e pensava na surpresa que a vida tinha dado a gente naquele momento , as vezes você dizia que eu estava linda e meu sorriso surgia um pouco mais, e eu só queria alongar aquele momento, mas tudo bem se ele terminasse logo, eu sabia que ia guardar na pele o encontro que fez a gente ignorar os problemas do mundo , mas era só porque a gente tava se entregando.
"Eu não estou interessado em nenhuma teoria
Nem nessas coisas do oriente, romances astrais
A minha alucinação é suportar o dia a dia
E meu delírio é a experiência com coisas reais
Amar e mudar as coisas me interessa mais
Amar e mudar as coisas me interessa mais". Belchior, 1976.

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