Soneto [ Em memoria ao sobrinho querido da Familia Sampaio].
I
A meu pai doente..
Para onde fores, Pai para onde fores,
Irei tambem, trilhando as mesmas ruas...
Tu, para amenizar as dores tuas,
Eu, para amenizar as minhas dores!
Que coisa triste! O campo tão sem flores,
E eu tão sem crença e as arvores tão nuas
E tu, gemendo, e o horror de nossas duas
Magoas crescendo e se fazendo horrores!
Magoaram-te, meu Pai? Que mão sombria,
Indiferente aos mil tormentos teus
De assim magoar-te sem pesar havia?
_Seria a mão de Deus?! Mas Deus enfim
E' bom, e' justo, e sendo justo, Deus,
Deus não havia de magoar-te assim!
II
A meu pai morto...
[Madrugada de 18 de Abril de 1992].
[Minha ingenua infancia nao me permitiu entender o sentido da doce voz de Gabriela,
uma amiga que dizia,
_Lela, o tio dormiu..].
Rezo, sonhando, o ofi'cio da agonia.
Meu pai nessa hora junto a mim morria
Sem um gemido, assim como um cordeiro!
E eu lhe ouvi o alento derradeiro!
Quando acordei, cuidei que ele dormia,
E disse a minha mãe que me dizia..
_Acorda-o! Deixei-o Mãe dormir primeiro!
E sai' pra ver a Natureza!
[O corredor de enormes mangueiras e os cavalos pareciam me dizer que algue'm faltava ali..]
[Era o meu pai, o grande amigo deles].
[Resultado assombroso, nosso Apollo, o cavalo falecera meses depois].
[Dizem que os animais sentem muito a morte de alguem querido].
Em tudo o mesmo abismo da beleza,
[A grama que era verde, se encizentou...]
Nem uma ne'voa no estrelado ve'u...
Mas pareceu-me, entre as estrelas flo'reas,
Como Elias, num carro azul de glo'rias,
Ver a alma de meu Pai subindo ao Ce'u!
P.s
Apenas as notas em chave sao de minha autoria. As outras? De meu amado poeta Augusto dos Anjos.
Deixo aqui a lembrança sem cansaço,
A memo'ria do eterno laço que tinhamos,
que apesar de minha curta idade
isso nao nos impedia.
Sua forma forte de ser,
seus desenhos traçados,
sua musica,
seus livros e escritos,
dizem ser como os meus..
meu pai, meu primeiro amor,
me ensinou a cançao da vida que contemplo hoje ...
E e' por isso que eu espero o dia da Gloria,
para com ele, o tão amado encontrar...
A meu pai doente..
Para onde fores, Pai para onde fores,
Irei tambem, trilhando as mesmas ruas...
Tu, para amenizar as dores tuas,
Eu, para amenizar as minhas dores!
Que coisa triste! O campo tão sem flores,
E eu tão sem crença e as arvores tão nuas
E tu, gemendo, e o horror de nossas duas
Magoas crescendo e se fazendo horrores!
Magoaram-te, meu Pai? Que mão sombria,
Indiferente aos mil tormentos teus
De assim magoar-te sem pesar havia?
_Seria a mão de Deus?! Mas Deus enfim
E' bom, e' justo, e sendo justo, Deus,
Deus não havia de magoar-te assim!
II
A meu pai morto...
[Madrugada de 18 de Abril de 1992].
[Minha ingenua infancia nao me permitiu entender o sentido da doce voz de Gabriela,
uma amiga que dizia,
_Lela, o tio dormiu..].
Rezo, sonhando, o ofi'cio da agonia.
Meu pai nessa hora junto a mim morria
Sem um gemido, assim como um cordeiro!
E eu lhe ouvi o alento derradeiro!
Quando acordei, cuidei que ele dormia,
E disse a minha mãe que me dizia..
_Acorda-o! Deixei-o Mãe dormir primeiro!
E sai' pra ver a Natureza!
[O corredor de enormes mangueiras e os cavalos pareciam me dizer que algue'm faltava ali..]
[Era o meu pai, o grande amigo deles].
[Resultado assombroso, nosso Apollo, o cavalo falecera meses depois].
[Dizem que os animais sentem muito a morte de alguem querido].
Em tudo o mesmo abismo da beleza,
[A grama que era verde, se encizentou...]
Nem uma ne'voa no estrelado ve'u...
Mas pareceu-me, entre as estrelas flo'reas,
Como Elias, num carro azul de glo'rias,
Ver a alma de meu Pai subindo ao Ce'u!
P.s
Apenas as notas em chave sao de minha autoria. As outras? De meu amado poeta Augusto dos Anjos.
Deixo aqui a lembrança sem cansaço,
A memo'ria do eterno laço que tinhamos,
que apesar de minha curta idade
isso nao nos impedia.
Sua forma forte de ser,
seus desenhos traçados,
sua musica,
seus livros e escritos,
dizem ser como os meus..
meu pai, meu primeiro amor,
me ensinou a cançao da vida que contemplo hoje ...
E e' por isso que eu espero o dia da Gloria,
para com ele, o tão amado encontrar...

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